Boa noite colegas,
Nesta nova postagem, direcionaremos a todos a
navegarem no mar de recordações das primeiras experiências com a leitura e a
escrita. Gostaríamos de convidá-las(os) a comentarem, opinarem e até mesmo
relatarem como foi essa experiência com vocês. Abaixo serão relatadas as
experiências das blogueiras do Troca de Saberes e Prazeres e esperamos que
vocês as degustem e deixem aflorar as lembranças.
Começaremos com o relato da professora Katia
Seligman:
"Os primeiros contatos com a
competência leitora, escritora e interpretativa, mesmo que não recordados,
acredito que tenham sido no útero materno, uma vez que minha mãe é “normalista”
e lecionava para o fundamental I.
Não será fácil falar sobre o
processo, já que me debulho em lágrimas, só de recordar cada experiência
marcante de tais fatos. Em cada época, possuí grandes mestres incentivadores,
cada qual a seu modo, para constituir-me como uma leitora assídua e amante do
universo encantador que é a leitura.
Minha mãe foi o alicerce para que eu e
minha irmã (somos apenas em duas filhas, sendo que eu sou a mais velha)
ganhássemos o gosto por ler, escrever, redigir, refletir, além de descobrir
novos horizontes. Ela sempre valorizou muito essas competências, tanto que para
ensinarmos o prazer por tais , ela é leitora assídua de vários gêneros
textuais, mesmo porque, minha mãe por ser filha de japoneses, sofreu muito para
aprender a nossa língua materna. Fui letrada e alfabetizada por minha
genitora,com cinco anos, mesmo eu cursando o antigo jardim II. Meus pais sempre
compravam os famosos “gibis” da turma da Mônica ( os quais eu adorava, não
somente pelas figuras, mas pelo seu conteúdo-tanto que esse gosto está sendo
trabalhado na construção de saberes da minha filha), além de livros infantis e
infanto-juvenis.
Na minha infância o livro que mais me
marcou foi A fada que tinha idéias de Fernanda Lopes de Almeida. Esse livro me
embriagou na fantasia, no mundo dos sonhos e imaginação. Creio que ele foi o
ponto de partida pelo meu gosto exacerbado pela leitura. Não posso deixar de
mencionar os discos de histórias infantis os quais, meu pai, sempre colocava no
aparelho de som (antigamente, era formado pela vitrola, rádio e fita K7, onde
hoje as crianças desconhecem ou observam como antiguidade) e viajávamos na leitura
oral e instrumentalizada. Saliento também , a importância da famosa série Vaga
Lume , cujos livros que mais gostei foram : A montanha encantada e a árvore que
dava dinheiro. Foram livros que me permitiram colocar-me como protagonista da
história e viver cada aventura. Aos meus nove anos, por eu amar ler, meu pai
presenteou-me com grandes clássicos da literatura brasileira (os títulos foram
Dom Casmurro, Helena , A moreninha, Clarissa) onde despertou-me o gosto pela
literatura de fato.
Na adolescência, os títulos que mais me
marcaram foram: O primo Basílio , pois me permitiu fazer intertextualidade com
o Dom Casmurro e o Memorial do Convento, aí eu percebi que era amante
inveterável por livros.
Um dos dissabores que obtive no ensino médio
foram as críticas opostas em relação ao processo de aquisição da competência da
língua materna. O ponto crítico foi no terceiro ano do Ensino Médio onde
possuía notas discrepantes- nota máxima em literatura e nota um pouco acima da
média em gramática da língua portuguesa. Recordo-me que o professor de
gramática sempre subestimava os discentes ( só pelo fato de lecionar no
cursinho) e , principalmente a mim, que fui bolsista no colégio Anglo- terceiro
integrado. Esforcei-me demais, estudava horas a fio, fazendo todas as apostilas
até, no último bimestre, chegar no ranking da melhor aluna do terceiro ano de
E.M. Aprendi com esse docente que jamais devemos duvidar do amadurecimento e da
competência a ser desenvolvida por um discente. Relatei esse fato, pois anos
mais tarde, eu e esse docente fizemos uma disciplina juntos quando eu cursava
meu mestrado e ele o doutorado na UNICAMP, provando que o processo de
amadurecimento e aquisição de aprendizagem vem ao seu tempo.
Agora, a lembrança que mais me emociona, como
já mencionei em outros fóruns, foi o exemplo de amor, transmissão de
conhecimento de língua materna e a ternura como essa doutora Maria Antônia
Granville, ensinou-nos desde a prática de língua materna e a disciplina
optativa que ministrou sobre contos de literatura infanto-juvenis. Desde a
primeira aula, com a saudosa doutora, soube, que mesmo amando Direito, havia
escolhido a disciplina certa, como docente e mediadora de conhecimentos, porque
qualquer texto que passa em nossas mãos tem que ser apreciado e transformado em
uma fonte inesgotável de conhecimento. Foi aí que compreendi o texto de Marisa
Lajolo, apresentado no meu primeiro semestre de faculdade pelo professor doutor
Marcos Siscar que tudo é, não é ou pode ser literatura, depende do ponto de
vista que saboreamos, refletimos e devolvemos sua interpretação.
Perdoem-me pelo extenso relato, mas não
poderia abreviar esse assunto tão importante em minha vida. "
Viram,neste primeiro relato, que muitas sensações
podem ser despertadas. Vejamos agora o relato da professora Irene Weber
Donatelli:
“ (...)percebi que o gosto pela leitura começa cedo.
Minha vizinha era professora e como eu gostava de ficar com ela , pediu à minha
mãe para me levar para a escola junto com ela. Ficava na mesa ao seu lado e tudo
que ensinava para as crianças , já maiores que eu, pois eu tinha apenas cinco
anos, aprendi também. Daí pra frente a escola era o melhor lugar para eu
ficar. Lia almanaque Seleções e livros que meu pai tinha no seu cantinho
preferido (chamava, na verdade, barracão). Assim tomei gosto pela leitura e
nunca mais parei. O cheiro de livro me atrai tanto que vivo em sebos.
(...)Parece uma coisa à toa saber ler/escrever ...não
...não mesmo. É uma tarefa que exigiu de nós um alguém sempre...por isso para
dar aulas me preparei muito. Encantar nossos alunos como você e demais colegas
faz parte de nossa missão. Não sou alfabetizadora mas admiro quem o é.”
Francamente, achamos o processo da descoberta
incrível e vocês? Já pensaram a respeito? Agora, vamos resgatar um pouco da
lembrança de infância de muitos, com o relato da professora Maria de Fátima
Costa Penatti:
"Na década de
60 não haviam pré- escolas acessível a todos. Eu pegava todo tipo de revista ou
jornal, fazia de conta que lia e escrevia em um caderno. Inventava boa
parte do que escrevia e não lia quase nada (acho que eu tinha uns cinco anos).
Meus pais nunca concluíram o primário. Eles compravam revistas e
encomendavam o jornal só aos domingos e tinham "conta" no jornaleiro,
pois podíamos comprar "gibis". Grandes incentivadores da leitura
foram meus pais aos seis filhos.
Minha mãe
era costureira e foi orientada por uma freguesa, que era professora,a procurar
a escola e tentar fazer a matrícula na 1ªsérie. Minha mãe conseguiu, mas com a
condição que se eu não acompanhasse faria novamente ,pois tinha apenas seis
anos e meio e a idade mínima era de sete anos. Prossegui e terminei o colegial
sem ter que voltar atrás.
Sempre fui boa
leitora, No Instituto Peixoto Gomide - Itapetininga, as séries iniciais ficavam
no térreo e a biblioteca no primeiro andar (no recreio me lembro de ir, muitas
vezes, para ler as obras do Monteiro Lobato). Mais velha, li todas a
obras de José Mauro de Vasconcelos e ainda me lembro das emoções do
"Palácio Japonês"; li tudo da Agatha Christie e muitos outros
policiais. Fiquei muito anos sem ler, com filhos pequenos não havia
oportunidade , pois o meu problema com a leitura é que quando começo não quero
fazer mais nada,uma vez que ler é mergulhar num mundo novo, desconhecido e
fabuloso."
Este relato foi
gostoso e prazeroso de saborear, não é mesmo? Quantas emoções, provavelmente,
vieram transbordar nossos corações. Apresentaremos um relato com sabor de
descoberta, de aguçamento de ideias e paixão, que é o da professora Sônia Maria
Squizzato Barboza :
"Minha experiência como leitora teve início no primário, pois em minha casa não havia livros disponíveis, morávamos na zona rural e minha família não tinha condições em adquiri-los. A única leitura de que me recordo, da infância, é “O canguruzinho fujão”. Um filhote de canguru que vivia no zoológico com a mãe, e sentia vontade de ser livre como as crianças que lá iam passear. Ele queria conhecer a cidade. Acho que este livro me marcou, já que sendo moradora da zona rural, eu também tinha curiosidade em conhecer a cidade. Adoro ler poemas, acho que trouxe da infância este gosto, pois como toda garota, eu também tinha um caderno em que escrevia os versos os quais mais gostava. Gosto em especial do poeta Mário Quintana. “ Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês”.
"Minha experiência como leitora teve início no primário, pois em minha casa não havia livros disponíveis, morávamos na zona rural e minha família não tinha condições em adquiri-los. A única leitura de que me recordo, da infância, é “O canguruzinho fujão”. Um filhote de canguru que vivia no zoológico com a mãe, e sentia vontade de ser livre como as crianças que lá iam passear. Ele queria conhecer a cidade. Acho que este livro me marcou, já que sendo moradora da zona rural, eu também tinha curiosidade em conhecer a cidade. Adoro ler poemas, acho que trouxe da infância este gosto, pois como toda garota, eu também tinha um caderno em que escrevia os versos os quais mais gostava. Gosto em especial do poeta Mário Quintana. “ Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês”.
Os poemas são como namorados nos
fazem sonhar. Muitos dos nossos alunos também têm um gosto especial pela poesia
e pela literatura.
Li, este ano, com os alunos do segundo
ano do Ensino Médio, o livro” O menino do pijama listrado” em forma de projeto.
Foi uma leitura muito interessante e enriquecedora. Fiquei impressionada
com o interesse da turma, apesar da obra relatar um fato tão triste da
história da humanidade. Outro título que também me agradou muito foi A cidade
do Sol, de Khaled Hosseini que retrata a vida de duas mulheres
aparentemente muito diferentes que se cruzam, graças à imprevisibilidade da
guerra que se abate sobre o Afeganistão.
Um bom livro é um companheiro ideal para todas as
horas, nos faz voar como pássaros por situações e lugares inesperados. "
Outro depoimento marcante não é mesmo? Leitores
e amigos o de vocês são parecidos? Resgataram as lembranças singelas da
infância e da adolescência?Conte-nos como foi sua experiência,divida essa
sensação conosco. Traz saudades, dificuldades, amores, renúncias? Opinem,
compartilhem e, principalmente, deixem a emoção despertada.
Um grande abraço das autoras.
Um grande abraço das autoras.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirParabéns "Meninas" pelo maravilhoso blog.
ResponderExcluirFatima