Nosso Objetivo

Este blog tem como finalidade trocar ideias, experiências e conhecimentos para a aquisição da escrita, da leitura e compreensão de diversas tipologias textuais pelos alunos. Somos um grupo de cursistas do curso Leitura e Escrita em Contexto Digital - 2ª Edição 2012 de formação fornecido pelo Governo do Estado de São Paulo em que buscamos o prazer e o saber pela leitura.



Vamos viajar nessas competências deliciosas e juntamente colaborar conosco?



Um grande abraço dos autores.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Os sabores e os prazeres dos primeiros passos no saber.




 Boa noite colegas,

  Nesta nova postagem, direcionaremos a todos  a navegarem no mar de recordações das primeiras experiências com a leitura e a escrita. Gostaríamos de convidá-las(os) a comentarem, opinarem e até mesmo relatarem como foi essa experiência com vocês. Abaixo serão relatadas as experiências das blogueiras do Troca de Saberes e Prazeres e esperamos que vocês as degustem e deixem aflorar as lembranças.



  Começaremos com o relato da professora Katia Seligman:
      "Os primeiros contatos com a competência leitora, escritora e interpretativa, mesmo que não recordados, acredito que tenham sido no útero materno, uma vez que minha mãe é “normalista” e lecionava para o fundamental I.
        Não será fácil falar sobre o processo, já que me debulho em lágrimas, só de recordar cada experiência marcante de tais fatos. Em cada época, possuí grandes mestres incentivadores, cada qual a seu modo, para constituir-me como uma leitora assídua e amante do universo encantador que é a leitura.
     Minha mãe foi o alicerce para que eu e minha irmã (somos apenas em duas filhas, sendo que eu sou a mais velha) ganhássemos o gosto por ler, escrever, redigir, refletir, além de descobrir novos horizontes. Ela sempre valorizou muito essas competências, tanto que para ensinarmos o prazer por tais , ela é leitora assídua de vários gêneros textuais, mesmo porque, minha mãe por ser filha de japoneses, sofreu muito para aprender a nossa língua materna. Fui letrada e alfabetizada por minha genitora,com cinco anos, mesmo eu cursando o antigo jardim II. Meus pais sempre compravam os famosos “gibis” da turma da Mônica ( os quais eu adorava, não somente pelas figuras, mas pelo seu conteúdo-tanto que esse gosto está sendo trabalhado na construção de saberes da minha filha), além de livros infantis e infanto-juvenis.
     Na minha infância o livro que mais me marcou foi A fada que tinha idéias de Fernanda Lopes de Almeida. Esse livro me embriagou na fantasia, no mundo dos sonhos e imaginação. Creio que ele foi o ponto de partida pelo meu gosto exacerbado pela leitura. Não posso deixar de mencionar os discos de histórias infantis os quais, meu pai, sempre colocava no aparelho de som (antigamente, era formado pela vitrola, rádio e fita K7, onde hoje as crianças desconhecem ou observam como antiguidade) e viajávamos na leitura oral e instrumentalizada. Saliento também , a importância da famosa série Vaga Lume , cujos livros que mais gostei foram : A montanha encantada e a árvore que dava dinheiro. Foram livros que me permitiram colocar-me como protagonista da história e viver cada aventura. Aos meus nove anos, por eu amar ler, meu pai presenteou-me com grandes clássicos da literatura brasileira (os títulos foram Dom Casmurro, Helena , A moreninha, Clarissa) onde despertou-me o gosto pela literatura de fato.
     Na adolescência, os títulos que mais me marcaram foram: O primo Basílio , pois me permitiu fazer intertextualidade com o Dom Casmurro e o Memorial do Convento, aí eu percebi que era amante inveterável por livros.
   Um dos dissabores que obtive no ensino médio foram as críticas opostas em relação ao processo de aquisição da competência da língua materna. O ponto crítico foi no terceiro ano do Ensino Médio onde possuía notas discrepantes- nota máxima em literatura e nota um pouco acima da média em gramática da língua portuguesa. Recordo-me que o professor de gramática sempre subestimava os discentes ( só pelo fato de lecionar no cursinho) e , principalmente a mim, que fui bolsista no colégio Anglo- terceiro integrado. Esforcei-me demais, estudava horas a fio, fazendo todas as apostilas até, no último bimestre, chegar no ranking da melhor aluna do terceiro ano de E.M. Aprendi com esse docente que jamais devemos duvidar do amadurecimento e da competência a ser desenvolvida por um discente. Relatei esse fato, pois anos mais tarde, eu e esse docente fizemos uma disciplina juntos quando eu cursava meu mestrado e ele o doutorado na UNICAMP, provando que o processo de amadurecimento e aquisição de aprendizagem vem ao seu tempo.
    Agora, a lembrança que mais me emociona, como já mencionei em outros fóruns, foi o exemplo de amor, transmissão de conhecimento de língua materna e a ternura como essa doutora Maria Antônia Granville, ensinou-nos desde a prática de língua materna e a disciplina optativa que ministrou sobre contos de literatura infanto-juvenis. Desde a primeira aula, com a saudosa doutora, soube, que mesmo amando Direito, havia escolhido a disciplina certa, como docente e mediadora de conhecimentos, porque qualquer texto que passa em nossas mãos tem que ser apreciado e transformado em uma fonte inesgotável de conhecimento. Foi aí que compreendi o texto de Marisa Lajolo, apresentado no meu primeiro semestre de faculdade pelo professor doutor Marcos Siscar que tudo é, não é ou pode ser literatura, depende do ponto de vista que saboreamos, refletimos e devolvemos sua interpretação.
    Perdoem-me pelo extenso relato, mas não poderia abreviar esse assunto tão importante em minha vida. "
  Viram,neste primeiro relato, que muitas sensações podem ser despertadas. Vejamos agora o relato da professora Irene Weber Donatelli:
 “ (...)percebi que o gosto pela leitura começa cedo. Minha vizinha era professora e como eu gostava de ficar com ela , pediu à minha mãe para me levar para a escola junto com ela. Ficava na mesa ao seu lado e tudo que ensinava para as crianças , já maiores que eu, pois eu tinha apenas cinco anos,  aprendi também. Daí pra frente a escola era o melhor lugar para eu ficar. Lia almanaque Seleções e livros que meu pai tinha no seu cantinho preferido (chamava, na verdade, barracão). Assim tomei gosto pela leitura e nunca mais parei. O cheiro de livro me atrai tanto que vivo em sebos.
 (...)Parece uma coisa à toa saber ler/escrever ...não ...não mesmo. É uma tarefa que exigiu de nós um alguém sempre...por isso para dar aulas me preparei muito. Encantar nossos alunos como você e demais colegas faz parte de nossa missão. Não sou alfabetizadora mas admiro quem o é.”

  Francamente, achamos o processo da descoberta incrível e vocês? Já pensaram a respeito? Agora, vamos resgatar um pouco da lembrança de infância de muitos, com o relato da professora Maria de Fátima Costa Penatti:

            "Na década de 60 não haviam pré- escolas acessível a todos. Eu pegava todo tipo de revista ou jornal, fazia de conta que lia e escrevia em  um caderno. Inventava boa parte do que escrevia e não lia quase nada (acho que eu tinha uns cinco anos).
             Meus pais nunca concluíram o primário. Eles compravam revistas e encomendavam o jornal só aos domingos e tinham "conta" no jornaleiro, pois podíamos comprar "gibis". Grandes incentivadores da leitura foram meus pais aos seis filhos.
             Minha mãe era costureira e foi orientada por uma freguesa, que era professora,a procurar a escola e tentar fazer a matrícula na 1ªsérie. Minha mãe conseguiu, mas com a condição que se eu não acompanhasse faria novamente ,pois tinha apenas seis anos e meio e a idade mínima era de sete anos. Prossegui e terminei o colegial sem ter que voltar atrás.
           Sempre fui boa leitora, No Instituto Peixoto Gomide - Itapetininga, as séries iniciais ficavam no térreo e a biblioteca no primeiro andar (no recreio me lembro de ir, muitas vezes, para ler as obras do Monteiro Lobato). Mais velha,  li todas a obras  de José Mauro de Vasconcelos e ainda me lembro das emoções do "Palácio Japonês"; li tudo da Agatha Christie e muitos outros policiais. Fiquei muito anos sem ler, com filhos pequenos não havia oportunidade , pois o meu problema com a leitura é que quando começo não quero fazer mais nada,uma vez que ler é mergulhar num mundo novo, desconhecido e fabuloso."

            Este relato foi gostoso e prazeroso de saborear, não é mesmo? Quantas emoções, provavelmente, vieram transbordar nossos corações. Apresentaremos um relato com sabor de descoberta, de aguçamento de ideias e paixão, que é o da professora Sônia Maria Squizzato Barboza :
       
       "Minha experiência como leitora teve início no primário, pois em minha casa não havia livros disponíveis, morávamos na zona rural e minha família não tinha condições em adquiri-los. A única leitura de que me recordo, da infância, é “O canguruzinho fujão”. Um filhote de canguru que vivia no zoológico com a mãe, e sentia vontade de ser livre como as crianças que lá iam passear. Ele queria conhecer a cidade. Acho que este livro me marcou, já que sendo moradora da zona rural, eu também tinha curiosidade em conhecer a cidade. Adoro ler poemas, acho que trouxe da infância este gosto, pois como toda garota, eu também tinha um caderno em que escrevia os versos os quais mais gostava. Gosto em especial do poeta Mário Quintana. “  Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês”.
        Os poemas são como namorados nos fazem sonhar. Muitos dos nossos alunos também têm um gosto especial pela poesia e pela literatura. 
      Li, este ano, com os alunos do segundo ano do Ensino Médio, o livro” O menino do pijama listrado” em forma de projeto.  Foi uma leitura muito interessante e enriquecedora. Fiquei impressionada com o interesse da turma, apesar da obra  relatar um fato tão triste da história da humanidade. Outro título que também me agradou muito foi A cidade do Sol, de Khaled Hosseini que retrata a vida de duas mulheres aparentemente muito diferentes que se cruzam, graças à imprevisibilidade da guerra que se abate sobre o Afeganistão.

  Um bom livro é um companheiro ideal para todas as horas, nos faz voar como pássaros por situações e lugares inesperados.  

   Outro depoimento marcante não é mesmo? Leitores e amigos o de vocês são parecidos? Resgataram as lembranças singelas da infância e da adolescência?Conte-nos como foi sua experiência,divida essa sensação conosco. Traz saudades, dificuldades, amores, renúncias? Opinem, compartilhem e, principalmente, deixem a emoção despertada.

   Um grande abraço das autoras.

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